A procura de alternativas saudáveis e naturais que melhorem e beneficiem a saúde tem vindo a aumentar. A demanda para descobrir alimentos eficazes, que realmente funcionem a favor da saúde produzindo efeitos específicos pela presença de determinados componentes alimentares, tem ganho especial relevo. (Palma, 2020).
Neste movimento de pesquisa de produtos alimentares com poder nutricional excecional e/ou de cura, surgiram novas classificações na indústria alimentar, nomeadamente, a classificação de alimentos funcionais (também conhecidos como “superalimentos”) e alimentos nutracêuticos.
Segundo Palma (2020), o termo alimento funcional surgiu em 1980 no Japão. Este termo foi usado para descrever alimentos que, na sua constituição, têm um ou mais nutrientes ou compostos com funções benéficas para a saúde. Para poder ser classificado como um alimento funcional, a sua ação/característica de destaque teria de ter sido verificada por entidades competentes, tendo que ser oficialmente aprovado como promotor de efeitos fisiológicos positivos para o organismo. (Palma, 2020)
A ILSI Europe (International Life Science Institute) no documento “Scientific Concepts of Functional Foods in Europe Consensus Document”, define alimentos funcionais como sendo os alimentos cuja ação sobre o organismo é benéfica, influenciando positivamente uma ou mais funções específicas do mesmo, para além dos efeitos nutricionais expectáveis. Este benefício tanto poderá ser em termos de bem-estar, como em termos de prevenção de situações patológicas. Acresce que, para além do referido alimento ter que possuir efeitos nutricionais adequados, tem que ser passível de ser consumido como parte de um regime alimentar normal. (ILSI, 1999)
Ressalva-se apenas que o termo alimento funcional pressupõem que este não se apresenta sob a forma de cápsula, comprimido ou suplemento alimentar. Assim, um alimento funcional é um alimento natural que tem na sua composição determinados compostos para a saúde devidamente documentados. Importa ainda salientar que, embora não possam ser consumidos na forma de comprimidos, cápsulas ou suplementos alimentares, são alimentos que podem ter sido modificados quer pela adição, remoção ou modificação de compostos (Contor, 2001).
A título de exemplo, temos nos alimentos funcionais componentes como os prebiótiócos, os probióticos, os simbióticos, os polifenóis, ácidos gordos insaturados, entre outros. (Silva et. al, 2019).
No que diz respeito aos alimentos nutracêuticos, a designação de Nutracêutico tem origem etimológica na junção de duas palavras: nutritivo e farmacêutico, significando por isso que é um produto com funções nutritivas e terapêuticas. (Dicionário Online Priberam)
Os alimentos nutracêuticos, também denominados por alimentos fronteira, são “Suplementos dietéticos que fornecem de uma forma concentrada, um agente presumivelmente bioativo (extraído ou produzido) existente num alimento, com o objetivo de melhorar a saúde e, numa quantidade tal que excede aquela que existe normalmente no alimento. Os nutracêuticos são fitoquímicos que não podem ser classificados como nutrientes nem como produtos farmacêuticos.” (Amorim, 2023)
A vantagem dos nutracêuticos reside no facto de ser possível aumentar a concentração do princípio ativo que se pretende explorar e, consequentemente, ter uma ação maior do composto que se pretende. (Moraes et al., 2006)
Carece referir que, segundo Berbereia (2014), a fronteira entre alimentos nutracêuticos e alimentos funcionais nem sempre é muito clara pois, num exercício de reflexão realizado pela autora, esta coloca a questão sobre a possibilidade de se poder enriquecer um alimento com um fitoquímico ou um extrato de um fitoquímico (ex.: misturar um pó num sumo) e dessa forma criar um alimento funcional, quando na realidade se poderia simplesmente colocar essa substância numa cápsula e dessa forma criar um nutracêutico. Refere ainda que há muitos componentes bioativos de alimentos que foram “encapsulados” ou transformados em comprimidos, pelo que, a partir do momento em que são transformados (em cápsula, comprimido ou suplemento) e pese embora sejam compostos que derivaram de alimentos, já não são considerados alimentos, acabando por receber um termo híbrido entre nutriente e medicamento (nutracêutico). (Berbereia, 2014)
Bibliografia
Amorim, A. (2023). Compostos Bioativos e Nutracêuticos e Alimentos Funcionais. Instituto Português de Naturologia (IPN).
Berbereia, V. (2014). Promoção do uso de Alimentos Promotores de Saúde na dieta de grupos socioeconómicos desfavorecidos. Dissertação do Mestrado em Tecnologia e Segurança Alimentar. Universidade dos Açores, Departamento de Ciências Agrárias. Consultado a 25/06/2025. Disponível em https://repositorio.uac.pt/entities/publication/59613dab-3c96-4f03-8143-34594532c786
Contor, L. (2001). Ciência dos alimentos funcionais na Europa. Pubmed. Consultado em 07/07/2025. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11894747/
Dicionário Priberam online. Consultado em 05/05/2025. Disponível em https://dicionario.priberam.org/nutrac%C3%AAutico
ILSI, (1999). Scientific Concepts of Functional Foods in Europe Consensus Document. ILSI Europe. Consultado em 14/05/2025. Disponível em https://ilsi.eu/search/?k=functional+food&ks=ILSI+Europa&kt=any
Moraes, F.; Colla, L. (2006). Alimentos funcionais e nutracêuticos: Definições, legislação e benefícios à saúde. Revista eletrónica de Farmácia Volume 3(2). Consultado em 01/07/2025. Disponível em https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1356828224Nutreceuticos.pdf
Palma, R. (2020). Alimentos Funcionais e nutrigenómica no tratamento e prevenção de doenças. Faculdade de Ciência e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa. Consultado em 06/06/2025. Disponível em https://run.unl.pt/bitstream/10362/118781/1/Palma_2020.pdf
Silva, V.; Orlandelli, R. (2019). Desenvolvimento de alimentos funcionais nos últimos anos: uma revisão. Google Academics. Consultado em 07/08/2025. Disponível em: https://revista.uninga.br/uninga/article/view/1110